Afonso Henriques Neto, Brasil
DISCURSO
nada existe, celebremos a alegria. o nascer e o morrer não nos acontece. só para os outros somos espetáculo. há vento em excesso pelos buracos da linguagem. um jardim muito espesso labirinto de idéias flocos de imagens sobre natais de fumaça. nada existe, celebremos aventura. tudo se instala o sentido esvaziou-se do oceano praias da totalidade. o que não existe celebra a concretude. é grave a pedra a pele desgarrada o esqueleto do silêncio. lábios se tocam em alegria beijo seco jardim de séculos. quase nenhuma fala ninguém mas os caminhos. recordemos: infância veloz olfato de espantos estátua ardente arfando no sonho. apenas não há ninguém mas os espaços (apenas o já nascido previamente ido). infinito buraco sem tempo celebração.
De Abismo com Violinos (1995) envio carlos machado, poesia.net
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Por lobitogabriel - 18 de Mayo, 2007, 8:14, Categoría: poesia
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